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texto de Jack
Irvando Luiz Molina nasceu em Santos, SP no dia 10 de agosto de 1958. Ainda moleque aprendeu a surfar e começou assim a frequentar mais a praia que a escola. Sem perder um lual à beira-mar, as festinhas da galera e todos os campeonatos de surf que rolavam no litoral norte de SP, acabou abandonando os estudos cedo e arranjando um trabalho. “Sai da escola e fui trabalhar em uma fábrica de pranchas muito conhecida em Santos naquela época, chamada Homero Surfboard, onde comecei lixando, depois laminando, mas nunca cheguei a shapear” lembra Farmácia com um sorriso. Aos 19 anos prestou serviço militar na Aeronáutica, e de ali saiu com a idéia de procurar uma praia onde pudesse surfar e viver em paz. Foi logo para Fortaleza onde ficou hospedado na base aérea militar por alguns meses, que passou sem encontrar o lugar certo onde se estabelecer. Em Paracuru, CE o nosso amigo encontrou Auriema, um surfista santista com o qual tinha trabalhado junto na fabrica de pranchas. Foi através dele que Farmácia acabou sabendo da existência da Praia de Pipa. Após passar mais uns meses em Fortaleza produzindo pranchas com Auriema, de tanto escutar o amigo falar sobre Pipa e as ondas que rolavam, decidiu vir pra cá.
“Cheguei na Praia da Pipa pela primeira vez no novembro 1979. Nessa época Pipa era muito pouco conhecida, mas já era frequentada regularmente pela galera do surf natalense, principalmente entre os meses de dezembro e fevereiro quando rolavam as melhores ondas. Nesse período também pintava por aqui muita gente de Goianinha, pessoal que tinha casa na beira da praia e passava os três meses de verão aqui”. Como ainda acontece com muitos dos que conhecem este paraíso tropical, Farmácia gostou de Praia da Pipa e acabou ficando; passou assim quatro anos pescando e participando das varias atividades relacionadas com a vida local, e surfando quando rolavam as ondas; até 1983, quando conheceu um casal de franceses que viajavam em um veleiro e foi convidado por eles para fazer parte da tripulação desse barco. Aceitou o convite e foi com eles até a Guiana francesa. De lá embarcou em um outro veleiro direto à Martinica, onde ficou trabalhando como marinheiro até 1986. Durante esse tempo conseguiu tirar a carteira de capitão e foi contratado para trabalhar em um iate na Jamaica onde acabou morando por 9 anos. “Em 1995 vim para a Praia da Pipa visitar a galera e não deu outra: acabei ficando de novo e aqui estou até hoje”. Farmácia arranjou em Pipa trabalho como gerente de pousada, depois foi produtor musical e há cinco anos inventou o passeio de caiaque na lagoa.
Como nasceu este seu apelido, Farmácia? - Quando mudei para cá em 1979, Pipa ainda era um lugar muito primitivo; não havia luz elétrica nem água encanada. Não tinha posto de saúde e todos os cuidados estavam nas mãos das duas pessoas que tinham um conhecimento básico de primeiros socorros: uma era a Marluce, irmã de Zé e Luiz Lopes e o outro era Zé-do-padre de Sibaúma que faziam milagres por aqui; o serviço era muito e então quando era necessário eu ajudava a galera fazendo um curativo ou aplicando uma injeção. Assim começaram me chamando de “farmacêutico” e depois virou “farmácia” mesmo.
Sair da badalada Praia da Pipa para ir morar à beira da lagoa é uma escolha de vida mais tranquila ou mais a contato com a natureza? - Todos os dois. Eu tenho muitos amigos e amigas e gosto de estar com eles, mas acho muito importante ter um pouco de privacidade. Por sorte, minha irmã tinha essa propriedade aqui no porto e liberou para eu morar. A construção, que já foi uma fabrica de gelo, é um lugar muito tranquilo e por coincidência na beira da lagoa. Bom demais...
Você poderia ganhar o premio de empresário ecologista para não gerar praticamente algum impacto com a natureza no seu trabalho. O que você acha do desenvolvimento sustentável para o turismo de Tibau do Sul?
- Acho que o
desenvolvimento sustentável para o turismo é muito importante, mas muito
pouco praticado por aqui. Não preciso gastar muito tempo para escrever
sobre isso; basta que as pessoas que estão lendo andem pelas ruas ou pela
beira da lagoa para ver os estragos irreversíveis que os predadores, ou
“investidores do turismo” como querem ser chamados, estão fazendo com a
natureza.
Você é também produtor de uma pequena banda de forró: conte-nos como e quando tudo aconteceu... - Alguns anos atrás achei que poderia me dar bem fazendo pequenas produções musicais aqui na Praia da Pipa. Então comprei um equipamento de som com todo o material necessário e comecei a fazer contato com músicos de Natal para fazer pequenos shows aqui. Comecei com um projeto chamado “Noites musicais” onde eu utilizava o espaço do antigo Bar Adrenalina ao lado da boate. Rolava som ao vivo de terça, quinta e domingo. Sempre rolava um “crowd”, mas não deu para girar; mesmo assim eu ainda insisti por uns três anos que me renderam muita experiência com músicos e equipamento de som. Fiz muitos amigos e conheci muita gente durante esse tempo. Em geral foi bom. Quando estava já resolvendo vender meu equipamento em meio a muitos problemas, rolou em comum acordo com os dois “calangos” André e Rogério a idéia de fazer um forró ao vivo todos os domingos na boate deles; eu ficaria encarregado do som e a montagem da banda. Deu certo: virei empresário do forró. quanto à banda, que passou por várias formações até chegar à atual, tem até nome a tema: Calangos do forró.
Eeeh, Farmácia...
você é mesmo uma figuraça!
obs: Obs.: Procuramos, procuramos... mas não conseguimos nenhuma fotografia “antiga” de Farmácia; se você tem uma guardada na gaveta há muitos anos, podemos passá-la no scanner e colocar nesta reportagem; entre em contato conosco escrevendo para eca13.pipa@gmail.com
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